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MÉXICO

La Mesilla, fronteira Guatemala/México

Na cidade de La Mesilla cruzamos nossa décima-segunda e última fronteira, antes de entrar nos Estados Unidos: Guatemala/México. Foi um momento importante para nós. Finalizamos a etapa centro-americana da viagem e iniciamos a terceira e última: América do Norte.

Qualquer fronteira, seja ela de que natureza for, é sempre um espaço de tensões, diferenças, conflitos, transições. Nessa viagem cruzamos 12 fronteiras nacionais, gastando entre duas e três horas em cada uma com trâmites muitas vezes confusos e desnecessários. Os postos de fronteiras por onde passamos foram sempre um caos. Havia imigrantes, policiais, fiscais, cães farejadores, vendedores ambulantes, caminhoneiros, ônibus, lotações, batedores de careteira, despachantes, cambistas, tudo misturado, falando e andando para todos os lados. Os prédios eram sujos e mal cuidados. Não havia regras e procedimentos explicitados para orientar os viajantes. Tudo teve que ser descoberto na hora, um pouco na base da tentativa e erro. A burocracia e a ineficiência foram enormes.

San Miguel de Allende, México

Homens e mulheres povoaram a América. Muito tempo depois as fronteiras chegaram Em alguns sentidos, a vida piorou depois disso. Nauás, tamoios, guaranis, incas, aztecas, maias, navajos, apaches não conheciam fronteiras. Sonhamos com uma  América sem fronteiras! Sem barreiras impedindo as pessoas de encontrarem os lugares de sua felicidade.

Seguimos rumo norte pela região montanhosa de Chiapas, e passamos alguns dias na cidade de San Cristóbal de Las Casas. A uma altitude de 2.500 metros, as noites eram frias, para os padrões brasileiros, mas as pessoas nas praças, falando, cantando, dançando, aqueciam todo o ambiente.

Já percorremos mais de 12 mil quilômetros, passando por 12 países. A diversidade cultural e, sobretudo, geográfica é enorme. Entretanto, há uma coisa comum, que permeia toda essa viagem: a língua espanhola. É admirável e surpreendente. Argentinos, chilenos, peruanos, equatorianos, panamenhos, costa-riquenhos, nicaraguenses, salvadorenhos, guatemaltecas, mexicanos (para ficar apenas nas nacionalidades que conhecemos) falam a mesma língua. De fora parece óbvio, mas de dentro é um espanto. A Hispano-América se fragmentou em 19 nações. Abrange 12 milhões de quilômetros quadrados onde 400 milhões de almas expressam seus sentimentos em espanhol. Como conseguiram isso?

Plantação de agave, México

Deixamos San Cristóbal para trás e chegamos no fim de tarde em Oaxaca, depois de dirigir 9 horas por estradas estreitas, serras, passando pelo meio de pequenas cidades e vilarejos. A compensação foi a beleza das serras escarpadas e úmidas de Chiapas, as encostas secas cheias de cactos da região de Oaxaca, as cadeias de montanhas azuis da Sierra Madre. Esta é a terra da tequila e do mescal, feitos com a pinha de agave, plantados nas encostas das montanhas. Fomos parados para revista três vezes nesse dia pelo exército nacional. Os soldados, mal saídos da adolescência, com dificuldade em sustentar o peso de seus fuzis, abriam nossas malas à procura não sabemos do que. Possivelmente nem eles.

Costa atlântica, México

Oaxaca estava lotada de gente neste início de ano. Música em vários lados da praça central, pessoas andando, comendo, vendedores de tudo circulando por todos os lados na noite fria. Tomamos uma tequila com sal e limão e de repende ouvimos um arranjo mexicano de “garota de ipanema”. Este país é o máximo!

Seguimos subindo esse enorme país pela costa do Atlântico, dirigindo pela manhã e parando em pequenas cidades após o almoço, para retomar viagem no dia seguinte. Nesse passo preguiçoso chegamos a Nueva Laredo, fronteira com os Estados Unidos. A estrada estava linda, com sol forte e brilhante. Olhando pelo retrovisor ainda víamos a Puna argentina, o Deserto de Atacama, o costão peruano, a Avenida dos Vulcões no Equador, o Canal do Panamá, as matas virgens da Costa-Rica, o Lago Nicarágua… e assim entramos nos Estados Unidos, relembrando os odores e os sabores desse continente que ingenuamente imaginávamos descoberto por Colombo. Soy loco por ti, América!

Comments

  1. Clayton França says:

    Ricardo, dei uma lida em seus posts (e claro – leitura dinamica pq tem muita cosia), voces estão de parabéns, viajar é bom, agora, viajar de carro é sentir uma verdadeira viajem… tambem aprecio, em set/2012 fiz minha primeira viagem pela america (http://www.4x4brasil.com.br/forum/relatos-de-viagem/80456-rumo-cuzco.html) eu e minha amada esposa. E dez/12 iremos para Ushuaia +-45dias, queremos passar natal e revelion fora (de fato).. vamos nessa? rsss.[]

    • Olá Clayton,
      Proposta tentadora. Vou consultar o Ministério da Economia (minha esposa).
      Um abraço.
      Ricardo

      • Clayton França says:

        Tenho a certeza que se depender deste Ministério a cosa ta fácil de ser resolvida, seria muito bom, pois até agora não achei ninguem que topasse passar o proximo nata e revelion na estrada…..[]
        Clayton

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