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FINALMENTE, A FLORESTA

wellcome

Cruzamos o rio Corentyne e entramos na Guiana. Como no Suriname, continuamos dirigindo “do lado errado”. Mas depois de tantos dias assim, já não sabíamos qual era mesmo o lado certo. Na balsa conhecemos Adam, sujeito simpático e solitário. Saiu com sua moto da Inglaterra há 6 anos e nunca mais voltou. Anda pelo mundo, sozinho. Seguimos juntos viagem por alguns dias, atrapalhando sua solidão. Quis saber seu sentimento de nacionalidade, não soube responder. “Há muito deixei de ser inglês. Nada entrou no lugar. Não tenho nacionalidade.”, respondeu.

escolar

O caminho de Corriverton (cidade litorânea na foz do rio Corentyne) a Georgetown (capital do país) parece ser uma única e imensa rua beirando o mar por 150 km. Nesse caminho ao longo da costa pantanosa, vimos passar mais de uma centena de vilas conurbadas. Nem parecia que estávamos no caribe. A população, a arquitetura, a comida, tudo enfim tem forte influência indiana; de onde descende 51% da população do país. Os indianos foram trazidos para cá aos milhares pelos ingleses, que aliás combatiam o tráfico de escravos africanos, para trabalhar na lavoura no século XIX.

entrando na floresta

Já em Georgetown predominam os afro-descendentes. Ficamos pouco tempo nesta cidade, pois queríamos mesmo era descer ao sul cruzando a floresta da Amazônia guiana. Descemos de Georgetown até Linden, cerca de 80 km pavimentados em uma estrada estreita e de mão dupla, sem acostamento, com tráfego intenso. A partir daí nos embrenhamos na floresta por um longo, estreito, tortuoso e belíssimo caminho de terra no meio da mata quase intocada.

quantalameira

Trafegamos o dia todo até as margens do rio Essequibo, onde dormimos em redes, acompanhados por mosquitos de variadas espécies. No dia seguinte cruzamos o rio de balsa logo às seis da manhã e seguimos rumo sul na floresta. Chovia muito. Cruzamos o Iwokrama Research Center, a única área de proteção ambiental demarcada no território guiano. Rodamos dezenas de quilômetros sem ver sequer vestígios humanos.

rapina na savana

Até que, mais ou menos abruptamente, a floresta dá lugar à savana, já próximos da fronteira com o Brasil, por onde entramos pela cidade de Bonfim.

Comments

  1. Bia Cordeiro says:

    Aí é tão diferente daqui! Mas acho que a sensação e “coceira de viagem” é parecida em todo lugar! Bacana esse Adam né! Mas não ter uma nacionalidade deve ser bem estranho… e por outro lado, bacana porque ele não se sente “fora de casa” nunca!

  2. estou planejando uma ida pelos caminhos que vc percorreu…só que julho do ano que vem. Preciso de um guiá confiável….qual vc me recomenda? Interessante somos de Campinas…posso te pagar um café?

  3. Olá Luiz,
    Julho é uma época boa na Amazônia brasileira, chove menos. Mas você vai pegar um pouco mais de chuvas nas guianas, mas não o pior cenário. Quanto a guias, quando estava planejando essa viagem tive muita dificuldade. Teve um dos três países que não encontrei nada (não me lembro agora qual foi) e os outros dois encontrei apenas guias não muito bons. Vou ver em casa e te passo a referência.
    Sim, vamos tomar um café. Eu trabalho na Unicamp, Barão Geraldo, quando quiser aparecer, é só marcar. Meu email é ricacordeiro@gmail.com
    Um abraço.

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