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A CHEGADA AO TOPO DO MONTE RORAIMA

Acordamos às 5 horas, com tempo aberto e temperatura baixa, 12 graus. Tomamos um café ansioso e logo começamos caminhar, rumo ao topo.

à direita, o início da ascensão para o Monte Roraima (ao fundo o Tepui Matauí)

Andamos embrenhados numa mata equatorial úmida. Encharcada. Verde. Exagerada. A água escorria por toda parte, e, como se não bastasse, ainda brotava do chão. Foi o trecho mais cansativo da expedição. E, sem dúvida, o mais bonito até o momento. Subimos 800 metros em 4,5 km de trilha, com muitos declives, alguns longos, permeando o traçado ascendente. À nossa direita, sempre o paredão vertical, que dependendo da incidência de luz, refletia um amarelo avermelhado. À nossa esquerda, um vão enorme e lá embaixo a ondulação da Gran Sabana, cada vez mais distante. A trilha era fechada e acidentada, com pedras lisas, soltas, e muitos trechos de lama. A neblina densa, a garoa intermitente, os sons de animais invisíveis, as bromélias gigantes espalhadas pelo caminho, tudo conspirava a favor do mistério e da magia que envolvem o Monte Roraima. Passamos pelas “lágrimas”, um passo de cerca de 30 metros com a chuva eterna formada por um dos olhos d’água da montanha. Ao subir essa encosta escarpada lembrei que ela se destacou do resto da Sabana há dois milhões de anos. Um pouco da força descomunal que empurrou a terra toda para cima ainda está por aqui.

andando no topo do Monte Roraima

Às 11h15 chegamos ao topo, exaustos e encantados com o lugar. O solo é rochoso. Um jardim de flores estranhas e vigorosas parecem brotar das pedras. Pequenas poças d’água refletem o céu, ora azul, ora cinzento.

lá de cima, víamos assim o caminho feito nos dias anteriores...

Seguimos direto para o “Hotel do Índio”, reentrâncias escavadas pelo vento e a chuva na rocha, que formam abrigos bem colocados num paredão de frente para um abismo de onde se vislumbra lá embaixo a Sabana e toda a trilha que percorremos nos últimos três dias.

Tepui Matauí

Tepui Matauí

À frente e à direita, na mesma altura do Hotel, se vê o Tepui Matauí. Armamos nossas barracas dentro dessas reentrâncias. Este foi o hotel de cuja sacada a melhor vista já tive em toda a vida. Passamos o resto do dia ao redor do Hotel, apenas olhando, olhando, olhando a imensidão à nossa volta.

Tepui Matauí, visto de dentro do Hotel do Índio

Comments

  1. leopoldo@pelodan.com.br says:

    Amigo por acaso você tem essa foto “Tepui Matauí, visto de dentro do Hotel do Índio” em alta qualidade ? Se tiver estou interessado em comprá-la para um evento que vou promover. No aguardo. Gratp.;;; PS: Parabens pelo Blog belas fotos !

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